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PENSANDO O NOVO AGRO: STARTUPS NO DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS FACILITADORAS AO CUSTEIO DE PRODUÇÃO, MONITORAMENTO AGRÍCOLA E GESTÃO DOS RISCOS DE INADIMPLÊNCIA

Já há alguns anos a indústria está passando por uma grande transformação em todo o mundo, buscando desenvolver um novo sistema de produção fortemente baseado na era digital.

Não há dúvidas que o cenário atual de pandemia global acelerou o sistema de adoção de tecnologias no que tange ao digital, trazendo novas formas de fazer negócios e, através do reexame de paradigmas, oferecendo novas oportunidades.

Assim, a transformação digital tem sido um tema constante em diversos setores. Com a indústria do agro não poderia ser diferente. O setor está vivenciando um significativo processo de inovação tecnológica em busca de eficiência, sustentabilidade e praticidade, entrando na era da chamada Agricultura 5.0.

Nesse contexto de fomentar a tecnologia/modernização para o campo e suportar a indústria com diferentes soluções, surgiram as STARTUPS DO AGRONEGÓCIO.

Mas afinal, o que são startups? Startup é uma empresa que possui um modelo de negócios repetível e escalável. É constituída por um grupo de pessoas com perfil empreendedor, responsável por levar inovação, modernizar os diversos setores. A startup, por definição, precisa ser ágil – uma das suas principais características é a agilidade em mudar o que oferece ao mercado.

As startups com solução para o agronegócio atuam criando soluções de alta tecnologia para o setor agrícola e podem ser classificadas de acordo com a área de atuação. As principais categorias de startups do agro são as agtechs, responsáveis por soluções no agronegócio e as fintechs, soluções tecnológicas para o sistema financeiro.

O Brasil, como referência mundial no agronegócio, tem investido nas agtechs e fintechs, trazendo uma onda de inovação, modernização para o agronegócio, que é o motor da nossa economia.

As agtechs são a grande promessa para a evolução do agronegócio. Caracterizam-se pela busca de soluções de tecnologia da informação relacionadas à agricultura de precisão, utilização de drones, rastreabilidade, gestão da lavoura e do negócio, bem como automação de processos, previsão climática, gestão e tomada de decisões, controle de pragas/defensivos, biotech e nanotech, rastreabilidade/qualidade do produto, robôs, big data e inteligência artificial.

Dentre as vantagens que este recurso disponibiliza aos produtores, destaca-se o aumento da previsibilidade e eficiência, recursos essenciais para manter a competitividade no cenário global.

Em contrapartida, as fintechs são empresas de tecnologia do setor financeiro, criadas para prover meios e soluções de pagamento específicos ao agronegócio. Atuam na busca de alternativas que as permitam liderar o futuro do financiamento e do seguro rural. Também definidas como startups financeiras, as fintechs oferecem ao produtor fontes tradicionais de custeio da produção agrícola, operações de crédito, financiamento em revendas, tradings e cooperativas.

Por meio da inteligência artificial, as fintechs realizam monitoramento agrícola, a fim de evitar inadimplência nos financiamentos do agronegócio. Criam plataformas de gerenciamento de riscos em operações agrícolas, analisam fatores como período na agricultura, histórico de safras, localização e qualidade da terra, expectativa climática, acompanham todas as etapas da safra, do plantio até a colheita. Tudo isso para garantir que os financiadores conheçam o produtor e recebam pelo financiamento, que é o insumo mais importante para o agronegócio.

Com estas operações, as concessões de crédito e financiamentos destinadas a fomentar o agronegócio se tornam mais seguras, havendo inclusive uma recuperabilidade mais precisa do crédito, vez que com as startups, as operações podem ser realizadas a tempo e modo adequados em caso de descumprimento/inadimplência dos produtores.

É oportuno consignar que o agronegócio é um dos setores mais rentáveis do país e em maior crescimento. No entanto, o risco no financiamento é um gargalo para o seu progresso.

E nesse ambiente de otimização de experiências tecnológicas é permitido às fintechs ofertar juros mais baratos, sob um risco calculado, contribuindo assim com o desenvolvimento da cadeia produtiva do Brasil.

Em conclusão, as startups consistem em enxergar o que o produtor está demandando e apresentar tecnologias com foco nos resultados, no dia a dia das operações do agro.

Por fim, importa destacar que, mesmo diante de uma crise generalizada, o movimento de inovação/tecnologia no agro continua e não para. No Brasil é considerado negócio inovador e vem se transformando com o passar dos tempos – agricultura de precisão, sustentabilidade, tecnologia são processos que seguem acontecendo. O agro tem um presente e um futuro promissor, continua com seu potencial, desafios e oportunidades.

 

Laís Marques Gomes

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