Ipsis Litteris

COOPERATIVISMO – UM MODELO VENCEDOR

Examinando a história, nota-se que o Cooperativismo nasceu na Inglaterra, em meio a Revolução Industrial, quando 28 operários tecelões reuniram-se na sociedade dos Probos de Rochdale, a fim de cooperarem entre si para benefício de todos.

No Brasil, foi em meados do século XIX, mais precisamente em 1889, que surgiu a primeira cooperativa do pais, em Ouro Preto/MG. Em 1902, surge a primeira cooperativa de crédito do pais, no Rio Grande do Sul, por iniciativa do Padre suíço Theodor Amstadt, sendo que em 1906, começaram a se desenvolver as primeiras cooperativas agropecuárias nacionais.

No início dos anos 70, a Lei 5.764/71 disciplinou a criação das cooperativas, tendo, no entanto, restringido a autonomia dos cooperados, interferindo na criação, fiscalização e funcionamento do empreendimento. Esta restrição foi superada através da Constituição Federal de 1988, que veio proibir a interferência do estado em associações, dando início à autogestão do cooperativismo.

Em 1995, o cooperativismo brasileiro alcança reconhecimento internacional, quando foi eleito o brasileiro Roberto Rodrigues para a presidência da ACI – Aliança Cooperativista Internacional, não restando dúvidas de que este fato contribuiu para o desenvolvimento do cooperativismo no país.

Atualmente o cooperativismo agropecuário tem relevante participação na economia brasileira, sendo que de todos os ramos de atuação o agropecuário tem maior destaque, já que é responsável por quase 50% do PIB acumulado, na medida em que mais de 45% do que é produzido no campo no Brasil, passa por uma cooperativa.

As cooperativas agropecuárias têm o poder de inclusão do produtor rural, independentemente de seu tamanho e sistema de produção, além de proporcionar a geração e distribuição de renda de forma equitativa. As vantagens da atuação coletiva são inúmeras, sobretudo na compra de insumos e venda da produção.

Já as cooperativas de crédito, outro grande modelo de cooperativismo, além de proporcionarem aos seus cooperados taxa de juros reduzidas, tem rendimentos normalmente superiores aos de mercado e atendimento diferenciado, trazem como vantagem o fato de o cooperado ser um dos donos do negócio, podendo inclusive ter voz nas assembleias.

No momento atual onde os reflexos da revolução tecnológica são visíveis, onde a soma do conhecimento proporciona maior resultado, onde a redução dos custos da produção é fundamental para o alcance do lucro, o cooperativismo caminha na vanguarda, como um modelo de colaboração, união de interesses comuns, soma de esforços, trazendo a melhoria econômica e social para seus membros e para o país.

É um modelo de negócios vencedor, demonstrando que a união dos cooperados reflete na redução de custos e no aumento da rentabilidade.

Eu acredito no cooperativismo, ele tem uma importância enorme não só para os cooperados, mas para toda a cadeia produtiva que direta ou indiretamente dependem dele.

Dra. Mírian Gontijo Moreira da Costa - OAB/MG 45.028. sócia-fundadora do Mírian Gontijo e Advogados Associados.