Ipsis Litteris

ADVOCACIA MODERNA PARA INICIANTES

Depois de pelo menos 5 anos em uma faculdade de direito, os obstáculos para o exercício da advocacia começam a surgir.

A carteira da OAB, tão sonhada, é alcançada depois de duras provas e é a credencial para o profissional adentrar nesta bonita, mas nem sempre fácil profissão, que é a advocacia.

O mundo moderno impôs a reinvenção das profissões e com a advocacia não foi diferente. Hoje o advogado tem que ter conhecimento multidisciplinar e olha: pouco sobre isto se aprende na universidade.

Este conhecimento vai muito além do direito. É preciso conhecer de contabilidade, para com espelhamento empresarial, saber lidar com receitas e despesas, fluxo de caixa, provisionamentos, etc. Entender de marketing, observando os limites impostos pelo Código de Ética da OAB, para divulgar o trabalho; entender e usar bem a tecnologia, pois, com a revolução tecnológica é impossível alavancar a carreira, sem utilizar dos recursos tecnológicos e usufruir todos os benefícios e facilidades oriundos deles. O advogado tem que entender bem de relacionamentos, até mesmo porque as indicações iniciais virão dos amigos, dos parentes. É preciso preservar os relacionamentos profissionais e para isso, o primeiro passo é o advogado entregar os serviços da forma pactuada. Se puder encantar, melhor ainda.

É necessário observar um aspecto muito importante, que é o estudo do direito, já que a prestação de serviços impõe conhecimento, responsabilidade e estratégia. Não estamos aqui falando em conhecimento específico em uma área, até mesmo porque, dificilmente um advogado iniciante começará sua carreira em uma só especialidade, principalmente se alçar carreira solo e se instalar em uma cidade de interior. Isto não quer dizer que as especializações não sejam bem vindas, quanto mais conhecimento melhor. O tempo e o mercado se encarregarão de delinear a área de maior atuação do profissional.

É preciso observar ainda que, se o estudante for paradigma para seus professores e seus colegas, certamente verá as portas se abrirem com mais facilidade. Nenhum escritório de advocacia quer um estudante abaixo da média para contratar como estagiário. A contratação de estagiário obedece a certos critérios incluindo a avaliação de desempenho do aluno.  Concluindo, é preciso começar a fazer a diferença já na faculdade.

Para abrir um escritório, é necessário observar inúmeros passos: o estudo de mercado, a definição do melhor local de instalação, a avaliação dos custos mínimos para a abertura e os custos médios mensais. O ideal é ter capital de giro calculado de acordo com os custos fixos e variáveis, pois, como qualquer outro negócio é preciso ter uma garantia do pagamento dos custos futuros mensais, até mesmo para não inviabilizar a atividade.

Se o advogado optar por abrir um escritório com sócios, é necessário contratar de forma clara e por escrito o formato da sociedade, o percentual de cada sócio, quem vai gerenciar a sociedade, a função de cada sócio no negócio, a forma de divisão dos lucros, e se haverá pagamento diferenciado para a captação e execução. É preciso estabelecer a retirada de um percentual dos lucros, para criação de fundos de reserva e de investimentos, provisionamento de pagamento de décimo terceiro para funcionários, dentre outros.  Ademais, tem que estabelecer a responsabilidade de cada um na condução dos trabalhos, não só processual, como também em todos outros aspectos societários. É imprescindível que a avença seja clara e precisa, ainda mais se a sociedade for com amigos. Conheço inúmeras situações onde a sociedade acabou e a amizade também.

Se os advogados optarem por criar a sociedade, é imprescindível levar o contrato social para prévio registro junto a OAB.

Quando o escritório estiver estruturado e o mercado mapeado, é hora de começar.

Na próxima semana, vou deixar aqui minha opinião sobre os desafios, oportunidades e obstáculos que o advogado iniciante vai encontrar no exercício da profissão.

Mirian Gontijo Moreira da Costa, sócia fundadora do escritório Mirian Gontijo e Advogados Associados. OAB/MG 45.028